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segunda-feira, 20 de junho de 2016

sucuri-amarela

sucuri-amarela (Eunectes notaeus)

Classe: Reptilia

Ordem: Squamata

Família: Boidae

As sucuris são as maiores serpentes da América do Sul e entre as maiores do mundo. A sucuri-amarela, embora seja bem grande, é menor do que a sucuri-verde (E. murinus). As fêmeas da espécie são maiores do que os machos, podendo atingir 4 metros de comprimento e 30 kg.

Ocorre na bacia do rio Paraguai, desde o Pantanal (Bolívia, Brasil e Paraguai) até o nordeste da Argentina e Uruguai.

Habitam áreas alagadas, como brejos, pântanos e rios e canais onde a água é mais calma. Avançam para áreas mais secas, como florestas e campos, durante épocas de estiagem ou para caçar animais maiores.

É vivípara, ou seja, não ovipõe, mas da à luz filhotes (os ovos ficam internos). A gestação dura 6 meses. Algumas informações dão conta de que o período de reprodução é em abril e maio, mas isso pode mudar de acordo com a região.  A maturação sexual é a partir do terceiro ou quarto ano de vida (vivem entre 15 a 20 anos).

É um animal carnívoro, predando por constrição. Alimentam-se de mamíferos de médio porte, como veados e capivaras, aves, peixes e, principalmente, jacarés. Certa vez presenciei uma pequena sucuri-amarela enrolada em um jacaré-do-pantanal (Caiman crocodilus) de tamanho mediano. Ficou assim por cerca de uma hora (não sei dizer por quanto tempo já estava enrolada), desistindo depois. A fotografia foi tirada na mesma região, Fazenda Xaraés, pantanal sul-matogrossense, quando atravessava o gramado em frente à Pousada Xaraés.

Uma sucuri adulta não possui predadores naturais, mas, quando jovem, é presa de jacarés, canídeos, teiús e outras sucuris. O ser-humano é a grande ameaça à espécie, que já foi enormemente explorada pelo valor da sua pele. Milhares de indivíduos eram caçados, décadas atrás, para o comércio internacional de peles.  Atualmente a caça de sucuris é proibida internacionalmente, mas a espécie se encontra ameaçada.

Fontes:


Conservation biology of the yellow anaconda (Eunectes notaeus) in northeastern Argentina – Tomas Waller, Patricio Alejandro Minucci e Ernesto Alvarenga.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

maracanã-de-colar

Maracanã-de-colar (Primolius auricolis)
Classe: Aves
Ordem: Psittaciformes
Família: Psittacidae

Bonita espécie de psitacídeo, distinguível pelo colar amarelo na nuca. Chega a 40 centímetros de comprimento e pesa cerca de 250 gramas.
Assim como outras espécies da família, P. auricollis se alimenta de frutos e sementes.
Ocorre do Mato Grosso ao Paraguai, Bolívia e Argentina. Habita capões, áreas agrícolas, matas secas, áreas com carandás (Copernicia alba) e matas de galeria.
A espécie está fora de perigo de extinção e a população está em crescimento.
As fotos foram tiradas na região da Pousada Xaraés, Pantanal sul-matogrossense, município de Corumbá.


Fontes:

Ornitologia Brasileira – Helmut Sick

domingo, 31 de março de 2013

tuiuiú - mais fotos

tuiuiú (Jabiru mycteria)
Tuiuiú em um ipê (Tabebuia sp.)

Tuiuiú em uma área alagada cheia de macrófitas

Ninho de tuiuiú em um mandovi (Sterculia apelata)

Tuiuiús junto a colhereiros (Platalea ajaja)

quinta-feira, 7 de março de 2013

queixada

queixada (Tayassu peccari)

Classe: Mammalia
Ordem: Cetartiodactyla
Família: Tayassuidae

Embora as queixadas sejam semelhantes aos porcos, são classificados em famílias diferentes. Queixadas são muito próximas dos catetos, mas vivem em simpatria com as duas outras espécies.
Ocorre em todas as regiões do Brasil, do norte da Argentina ao Equador, Colômbia à Guiana Francesa e do Panamá ao sul do México. É considerado extinto em partes das regiões sul e nordeste do Brasil, parte do norte da Argentina e outras áreas mais ao norte da América do Sul. Segundo IUCN, a espécie está próxima de ameaçada, com as populações declinando.
Habita uma ampla gama de habitats, como áreas muito úmidas e densas até áreas mais secas. No Brasil é encontrado em quase todos os biomas, sendo mais comum no Pantanal e na Amazônia.
Queixadas se alimentam, principalmente, de frutos, mas também de fibras, raízes, folhas e até uns poucos invertebrados. Para algumas espécies de plantas, queixadas são predadoras de sementes.
Vivem em bandos que podem ultrapassar 100 indivíduos. Algumas pessoas tem medo e consideram as queixadas agressivas. Realmente são animais fortes e que podem se tornar violentos em caso de ameaças, mas, no geral, não partem para o confronto.
É uma importante fonte de proteína para populações do interior. Sua carne é saborosa e, quando um grupo é detectado, é praticamente carne garantida. A caça predatória à espécie e o desmatamento são fundamentais para colocá-la em ameaça.
As fotos e o vídeo (uma sequência de fotos, na verdade) foram tiradas na Fazenda Nossa Senhora do Carmo, Pousada Xaraés, pantanal Sul, município de Corumbá/MS. Além desse local, já observei queixadas na RDS Amanã, Amazonas.

Fontes:

Arnaud L. J. Desbiez - Wildlife Conservation in the Pantanal: Habitat Alteration, Invasive Species and Bushmeat Hunting. - Tese de Doutorado na Kent Canterbury University

www.iucnredlist.org

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

onça-pintada - mais fotos

onça-pintada (Panthera onca)
RDS Mamirauá, Amazônia, Uarini/AM, seca de 2012 - fêmea

Novas e velhas fotos de onça.
Fazenda San Francisco, pantanal sul-matogrossense, Miranda/MS
Fazenda Nossa Senhora do Carmo (Pousada Xaraés), pantanal sul-matogrossense, Corumbá/MS - fêmea


Fazenda Nossa Senhora do Carmo (Pousada Xaraés), pantanal sul-matogrossense, Corumbá/MS - casal (macho à esq.)

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

caburé

caburé (Glaucidium brasilianum)

Classe: Aves
Ordem: Strigiformes
Família: Strigidae

Uma corujinha muito interessante. É a maior espécie do gênero, chegando a medir 17cm. É uma ave diurna e crepuscular, diferentemente da maioria das corujas.
As espécies do gênero Glaucidium apresentam falsos olhos na nuca que servem para enganar suas presas. Por falar nisso, esses falsos olhos são de grande importância para o caburé. Quando vocaliza (http://www.xeno-canto.org/species/Glaucidium-brasilianum) atrai pequenas aves, beija-flores, saíras, pipiras, que vêm ao seu encontro para expulsá-lo. É uma ação das presas contra o predador. No entanto, as presas se confundem e muitas vezes atacam o caburé pela frente, achando que são as costas, devido aos olhos de mentira na nuca da coruja. Nesse momento o caburé pega uma dessas avezinhas. Esse comportamento é chamado de mobbing. Além de aves, também se alimenta de outros pequenos vertebrados, como lagartixas e sapos.
Nidifica em cavidades naturais, como ocos de árvores ou em ninhos de joão-de-barro (Furnarius rufus). O casal choca de 2 a 3 ovos.
Vive desde áreas florestadas na Amazônia, incluindo florestas de várzea, como cerrado, caatinga e áreas semi-abertas. Ocorre do centro-norte da Argentina até o México, a leste da Cordilheira dos Andes na América do Sul. Em todo o Brasil.
Está fora de perigo, mas a população está em declínio.
A foto à direita foi tirada na Pousada Xaraés, pantanal sul-matogrossense, município de Corumbá/MS; a segunda foi tirada em uma trilha na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, região de Uarini, estado do Amazonas.

Fontes:

Iconografia das aves do Brasil. Volume 1, bioma Cerrado - Tomas Sigrist
www.iucnredlist.org
www.xeno-canto.org


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

verão

verão/príncipe (Pyrocephalus rubinus

Classe: Aves
Ordem: Passeriformes
Família: Tyrannidae

Bela espécie, macho de cor vermelho vivo, fêmea e macho jovem acizentados.
Durante a época de reprodução, durante a primavera, canta até de madrugada e no crepúsculo. O ninho é em forma de uma tigela chata, com bastante revestimento. A fêmea deposita entre 4 a 5 ovos.
Ocorre do sul dos Estados Unidos e México a Argentina e Bolívia, Galápagos e todo o Brasil. Habita regiões campestres, cerrados, campos, áreas abertas, praias de rio, jardins e parques. Não adentra em áreas densamente florestadas. Durante o inverno, nas áreas mais ao sul, migra para o norte da América do Sul, chegando até o Pantanal e a Amazônia.
Se alimenta de insetos e de modo característico, voando do poleiro para capturar a presa e retornando ao mesmo local.

Ambas as fotos (macho à direita e fêmea à esquerda) foram tiradas na Fazenda Nossa Senhora do Carmo, propriedade da Pousada Xaraés, município de Corumbá/MS, Pantanal.
Está fora de perigo de extinção.

Fontes

Ornitologia Brasileira - Helmut Sick
www.wikiaves.com.br

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

veado-catingueiro

veado-catingueiro (Mazama gouazoubira) - Gray Brocket Deer - Venado

Classe: Mammalia
Ordem: Cetartiodactyla
Família: Cervidae

Comprimento total: 90-1250 cm; peso: 11-25 kg
São parecidos com o veado-mateiro (M. americana), que são maiores e são mais avermelhados.
Ocorre nas Américas Central e do Sul. Do Panamá ao Uruguai, a leste dos Andes.
Habita diversos tipos de hábitats, desde áreas abertas como Chaco Paraguaio, Pantanal e Cerrado, à floresta mais fechada como na Mata Altântica e Amazônia, embora sejam mais raros nesses ambientes.
É um animal de hábitos diurnos e noturnos, terrestre e solitário, embora seja observado também em pares. As mães cuidam dos filhotes por algumas semanas. A gestação dura cerca de 270 dias. Os filhotes nascem com pintas brancas.
Se alimentam de frutos, flores, folhas e raízes.
Está fora de perigo de extinção, mas a população está em declínio, principalmente pelo aumento da urbanização.
As duas fotos são da região da pousada Xaraés, pantanal sul-matogrossense.


Fontes:


Neotropical Rainforest Mammals - Louise Emmons & François Feer
Mammals of the Neotropics - John Eisenberg & Kent Redford
www.iucnredlist.org


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

cotia

cotia (Dasyprocta azarae)

Classe: Mammalia
Ordem: Rodentia
Família: Dasyproctidae

Possui entre 46 a 60 cm de comprimento e 2,4 a 3,2 kg.
São animais terrestres e diurnos. Se alimentam de sementes, frutos e coquinhos, como cocos de acuri (Attalea phalerata) no Pantanal. Ocorrem em regiões úmidas, como florestas da Mata Atlântica, cerrado e Pantanal. Ocorre do sopé dos Andes na Bolívia ao Rio Grande do Sul, incluindo o estado do Mato Grosso do Sul e São Paulo. Também na província das Missiones, na Argentina. É a espécie de cutia com a distribuição mais a sul.
A gestação dos Dasyprocta dura cerca de 4 meses e dão à luz a 1 ou 2 filhotes. Os filhotes já nascem com os olhos abertos.
As fêmeas defendem parte da sua área de vida quando há pouco alimento e os jovens são tolerados pelos pais no uso da área. Os machos defendem sua área mais fortemente.
Costumam descansar em ocos de árvore caídas ou em meio à vegetação baixa e densa.
Não possui classificação na IUCN, onde consta como dados deficientes, mas a população parece estar diminuindo.
A foto foi tirada de dentro de um capão na Fazenda Nossa Senhora do Carmo, município de Corumbá, Pantanal.

Fontes:

Mammals of the Neotropics - Eisenberg & Ford
Neotropical Rainforest Mammals - Emmons
www.iucnredlist.org

terça-feira, 21 de agosto de 2012

pica-pau-de-topete-vermelho

pica-pau-de-topete-vermelho (Campephilus melanoleucos)

Classe: Aves
Ordem: Piciformes
Família: Picidae

Os pica-paus possuem a musculatura do pescoço muito forte e adaptações especiais nas vértebras, no crânio e no próprio pescoço, de modo a proteger o cérebro das trepidações quando o animal "pica" a árvore. São animais trepadores e a cauda é transformada em um órgão de apoio nas árvores.
C. melanoleucos é muito parecido com a espécie pica-pau-de-banda-branca (Dryocopus lineatus), porém distinguível pelo "V" branco nas costas e pela cabeça bem avermelhada. A fêmea possui a frente do topete preta e uma larga mancha branca que alcança o bico.
Ocorre do Panamá à Bolívia, Paraguai, Argentina e alguns estados brasileiros como o Paraná, Mato Grosso e Goiás. Também na Amazônia e no Pantanal. Habita matas de galeria, várzeas amazônicas, áreas abertas, palmais e fazendas.
Se alimentam de insetos e suas larvas. Conseguem ouvir o barulho desses animais no oco das árvores ou martelam a madeira para descobrir onde existem possíveis presas. Possuem uma língua longa e pegajosa que serve para espetar a presa. Algumas espécies como C. melanoleucos se alimentam também de frutos (bananas, mamão, laranja e embaúba).
Na época de reprodução, o casal de pica-pau-de-topete-vermelho se encontra após vôos em que produzem fortes zunidos com as asas. Normalmente o casal nidifica em árvores mortas, palmeiras e embaúbas, onde constróem um ninho em alguma cavidade da madeira. C. melanoleucos deixa uma camada de serragem no ninho. A fêmea deposita entre 2 a 4 ovos e ambos os sexos revezam-se na hora de chocar.
A espécie está fora de perigo, mas a população parece estar em declínio.
A primeira foto é de um macho, tirada na comunidade Sítio São José, na RDS Mamirauá, Amazonas; as outras duas são da Fazenda Nossa Senhora do Carmo, pantanal sul-matogrossense. Na segunda foto dá pra ver em detalhe a cauda apoiada no tronco da árvore e a terceira é uma fêmea.


Fontes:

Ornitologia Brasileira - Helmut Sick
www.iucnredlist.org

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

batuíra-de-coleira




batuíra-de-coleira (Charadrius collaris)

Classe: Aves
Ordem: Charadriiformes
Família: Charadriidae

Habita usualmente áreas próximas à água, como praia e beira de rios, sejam de areia ou lama. Também vive em regiões de água salgada, dunas e zonas de vegetação pioneira, mas é mais comum em águas interiores. Na Amazônia, devido a inundação das regiões de várzea e igapó, tem que migrar para outras áreas, fazendo este movimento todos os anos. Assim que as águas baixam, voltam para suas áreas de preferência onde se reproduzem. Não faz ninho. A fêmea deposita os ovos diretamente no solo. Vivem aos casais e não há dimorfismo sexual. Os filhotes são nidífugos, ou seja, já saem do ninho ao nascer.
Se alimentam de pequenos animais que vivem no solo, como insetos, poliquetas e crustáceos.
Ocorre do México à Bolívia, Argentina e Chile e em todo o Brasil. Também nas ilhas do Caribe e Antilhas Holandesas.
Está fora de perigo de extinção, mas a população vem diminuindo. É estimado que existam entre 1.000 a 10.000 indivíduos.
As 3 primeiras fotos foram tiradas na Amazônia, todas no estado do Amazonas. A primeira foi no lago Tefé, na região do distrito de Nogueira, pertencente ao município de Alvarães; a segunda à direita é da RDS Uatumã, no lago Jaraoacá; a terceira foi na área da comunidade Miraflor, município de Uarini, no rio Solimões. A última foto é da região do Pantanal sul-matogrossense, na fazenda Nossa Senhora do Carmo, município de Corumbá.

Fontes:

Ornitologia Brasileira - Helmut Sick
www.iucnredlist.org


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

onça-pintada

onça-pintada (Panthera onca)

Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Felidae

A onça-pintada é o maior felino das Américas, podendo pesar até 150 kg e medir 2,4 m de comprimento, incluindo a cauda. Contudo o tamanho dos animais varia muito de acordo com a região: no Pantanal os indivíduos são grandes, chegando a mais de 100 kgm enquanto que na várzea amazônica, são menores e os machos adultos podem pesar cerca de 60-70 kg. É um animal muito forte, musculoso, de cabeça grande em relação ao corpo, cauda grossa e pernas grossas e curtas. Suas manchas são chamadas de rosetas, ou seja, são manchas dentro das manchas.  O padrão de rosetas é individual, ou seja, cada animal tem o seu. É equivalente à nossa impressão digital.
Originalmente ocorria da Argentina central até o sul dos EUA, mas atualmente já está extinta ou muito rara em grande parte de sua distribuição (ocorre em apenas 46% da sua área original). Na Amazônia e no Pantanal as populações de onça-pintada são grandes e o animal ainda está a salvo. No entanto, considerando toda a distribuição da espécie e as pressões exercidas sobre ela, é um animal considerado próximo de ameaçado.
Habita praticamente qualquer tipo de habitat, mas normalmente está muito associada a corpos d'água e áreas alagáveis. No entanto existem animais em regiões secas como a caatinga.
As principais ameaças à onça-pintada são a perda de habitat, com o desmedido desmatamento que vem ocorrendo nas Américas, a perda de presas devido à caça e os conflitos com humanos, especialmente proprietários de terras e de animais de criação que matam P. onca em retaliação a alguns casos de morte de gado pela onça. Muitos estudos, no entanto, demonstram que a porcentagem de gado morto pela onça-pintada é baixa.
São animais que constumam andar sozinhos, mas também em dupla. Irmãos são às vezes observados juntos por um certo tempo e a mãe também tem um importante cuidado com os filhotes (na média 2). Moradores locais da RDS Mamirauá contam que na época da vadiação (quando a fêmea está no cio) é possível observar vários indivíduos juntos, às vezes mais de 5. Os filhotes ficam independente após cerca de 2 anos e as fêmeas tem sua primeira cria a partir dos 3 anos de idade. O tempo máximo de vida de uma onça-pintada é de aproximadamente 12 anos.

Possuem grandes áreas de uso e os territórios variam muito em relação aos recursos existentes. Existe sobreposição de território, especialmente de machos e fêmeas, mas os animais vagueiam pela área dos outros. Na RDS Mamirauá, onde existe a maior densidade de onça-pintada do mundo, foi registrado, com o auxílio de armadilhas fotográficas, 13 indivíduos por 100 km2

Possuem atividade ao longo do dia inteiro. Se alimentam de praticamente todo vertebrado que conseguir pegar. Comem queixadas, antas, veados, capivaras, jacarés e seus ovos, jabutis, aves e até preguiças e macacos.
As 3 fotos de onça foram tiradas na área do corixo fundo, dentro da fazenda Nossa Senhora do Carmos, Pantanal sul-matogrossense. A segunda e a terceira foto é de um casal, o o macho à direita e a fêmea à esquerda na segunda e em lados invertidos na terceira. A foto da pegada é no final da trilha da Guariba, bem próximo à Pousada Uacari, na RDS Mamirauá, Amazonas.

Fontes:
Azevedo, F. C. C. 2006. Predation patterns of jaguars (Panthera onca) in a seasonally flooded forest in the southern region of Pantanal, Brazil. Doctor of Philosophy, University of Idaho, 103pp.
Macedo, J. S. 2011. Dinâmica populacional da onça-pintada (Panthera onca) no lago Mamirauá e conflitos entre onças e populações tradicionais nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, AM. Relatório técnico final das atividades de bolsa /CNPQ. Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, Tefé, Amazonas, Brasil.
Ramalho, E.E. 2006. Uso do hábitat e dieta da onça-pintada (Panthera onca) em uma área de várzea, Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, Amazônia Central, Brasil. Dissertação de Mestrado, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia/Universidade Federal do Amazonas, Manaus, Amazonas, 46pp.
Sanderson, E. W.; Redford, K. H.; Chetkiewicz, C. B.; Medellin, R. A.; Rabinowitz, A.; Robinson, J. G.; Taber, A. B. 2002. Planning to save a species: the jaguar as a model. Conservation Biology, 16(1):58-72.



terça-feira, 15 de maio de 2012

bugio

bugio (Alouatta caraya)

Classe: Mamíferos
Ordem: Primatas
Família: Cebidae

Espécie de bugio que ocorre na região do Pantanal e parte do Cerrado, abrangendo leste da Bolívia, Paraguai, nordeste da Argentina e do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul ao sul da Bahia.
Ocupam florestas decíduas e semidecíduas, matas de galeria e capões. Na região das Fazendas Xaraés e Nossa Senhora do Carmo, Pantanal sul-matogrossense, são bastante comuns em capões de médio e grande porte. 
O que mais chama a atenção em relação a esses animais é o grito muito alto entoado por eles, uma forma de demarcação de território. Isso é possível a uma modificação na região da garganta, que atua como um grande saco acústico.
Marcante dimorfismo sexual, sendo o macho adulto de coloração preta e a fêmea marrom claro. Os juvenis possuem a pelagem parecida com a das fêmeas. Os machos são um pouco maiores, pesando cerca de 6-7kg e as fêmeas entre 4-5kg.
Vivem em grupos que chegam a passar 10 indivíduos e são encontrados mais de um macho por bando, mas provavelmente existe apenas um dominante.
Assim como as outras espécies do gênero, são animais herbívoros, sendo a dieta baseada preferencialmente em folhas. Por conta dessa dieta pouco rica em calorias, passam a maior parte do tempo descansando nas árvores. Possuem o trato digestivo muito desenvolvido, de modo que os ajudam a digerir a celulose das folhas. Sempre observei esses animais em embaúbas (Cecropia sp.) e figueiras (Ficus sp.).
Já observei indivíduos cruzando o campo correndo na busca de capões ou mudando de capão.
Está fora de perigo, mas as populações vem diminuindo, devido à fragmentação do habitat pelas atividades agropecuárias e expansão das cidades.
Todas as fotos foram tiradas na Fazenda Nossa Senhora do Carmo. A primeira é um macho adulto, a segunda uma mãe com um filhote, a terceira (esq.) um bando descansando e a quarta uma fêmea.

Fontes:

www.iucnredlist.org

quarta-feira, 14 de março de 2012

gavião-caboclo - gavião-fumaça


gavião-caboclo (Heterospizias meridionalis)

Classe: Aves
Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae

Essa vai pro meu amigo Zapa, pra ele nunca confundir o gavião-panema (do post de ontem) com o caboclo!
O nome caboclo vem da sua cor amarronzada e fumaça porque é uma ave que costuma seguir queimadas para capturar os animais que fogem desesperados do fogo. Já observei alguns indivíduos fazendo isso no Pantanal.
Se alimenta de cobras, lagartos, sapos, insetos, caraguejos e pequenos mamíferos. Assim como o gavião preto (Buteogallus urubitinga), rouba peixes de garças e tuiuiús em vôo.
Paira em correntes térmicas aos pares ou em grupos de até 100 indivíduos.
A repodução é entre julho e novembro. Deposita normalmente 1 ovo em ninhos construídos em árvores baixas ou palmeiras.
Habita cerrados, caatingas, campos sujos, savanas de cupim, pastos, plantações, buritizais, pantanais, banhados, manguezais, matas de galeria e ciliares, matas secas e matas ripárias. Não costuma frequentar áreas florestadas.
Ocorre do Uruguai à Costa Rica e em grande parte do Brasil. Também está presente em Trinidad & Tobago.
É considerada uma espécie fora de perigo.
Fotos: as duas primeiras foram tiradas no pantanal sul-matogrossense, região do municípiio de Corumbá/MS. A da direita foi na Fazenda Xaraés e a da esquerda na fazenda vizinha, a Nossa Senhora de Fátima. A última foto foi uma surpresa pra mim, pois foi no meio da floresta amazônica, na região do Lago dos Reis no município de Manaus/AM (estou com um pouco de dúvida e nçao consegui descobrir o lugar exato), já nas margens do rio Amazonas.
Fontes:

www.wikiaves.com.br
www.iucnredlist.org

Aves do Brasil - Tomas Sigrist

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Arancuã-do-pantanal



Arancuã-do-pantanal (Ortalis canicollis)

Classe: aves
Ordem: galliformes
Família: cracidae

Quem já foi pro Pantanal vai se lembrar desse bicho. Lembra uma galinha magra e mais comprida, mas é muito, muito mais barulhento (lembrando que a galinha-doméstica, Gallus gallus, é da família phasianidae, também da ordem Cracidae).
O que mais chama atenção no arancuã, portanto, é o canto alto e incessante e em quase qualquer hora do dia. Por lá chamam de "despertador do pantanal", pois é muito comum acordar ao som desse animal. Os moradores locais também criaram frases interpretando o canto do arancuã, tais como "quero casar, quero matar". Várias vezes, quando eu escutava o bicho cantar de madrugada é porque eu suspeitva de algo diferente ocorrendo no mato. Quem sabe não era um grande predador nas redondezas?
O arancuã-do-pantanal mede cerca de 50-56cm e pesa entre 480-600g. Os cracídeos em geral são muito apreciados pelas populações locais e constituem fonte de proteína importante para elas, porém O. canicollis não parece ser caçado e nunca ouvi falar sobre isso no tempo que morei no Pantanal. Segundo a IUCN, a espécie está fora de perigo.
Além dos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a espécie ocorre no sul e leste da Bolívia, Paraguai e norte da Argentina. Habita matas secundárias, capões, capoeiras, matas ciliares, áreas com palmeiras como carandás e acuris e próximos às casas, nas fazendas.
Vive em casais, mas também agrega-se em bandos que chegam até 30 indivíduos. Depositam até 4 ovos, de coloração alaranjada ou creme-escuro, em ninhos feitos com galhos secos, cipós e folhas nas árvores ou arbustos a cerca de 3m do solo. Os ovos são chocados por 28 dias e poucos dias depois de eclodir os filhotes já acompanham os pais pelas árvores.
Podemos observar nas árvores ou no solo se alimentando preferencialmente de frutos, mas também de folhas, flores e até lagartas.
As 3 fotos foram tiradas na Pousada Xaraés, município de Corumbá/MS, Pantanal. A primeira foi na seca de 2008 e as outras duas na vazante de 2011. O animal da terceira foto estava se alimentado de mexericas que haviam caído no chão.

Fontes:

Ornitologia Brasileira - Helmut Sick
Aves do Brasil - Tomas Sigrist
www.iucnredlist.org
www.wikiaves.com.br

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Tatu-peba


Tatu-peba (Euphractus sexcinctus)

Classe: mammalia
Ordem: xenarthra
Família: dasypodidae

A América do Sul separou-se da África há aproximadamente 100 milhões de anos atrás e manteve-se como uma ilha até 3 milhões de anos atrás, quando o istmo do Panamá surgiu e uniu as Américas. Foi aqui que evoluíram os Xenartros, uma ordem peculiar cujo significado é "juntas estranhas", pois possuem articulações adicionais entre as vértebras lombares que reforçam a espinhal dorsal, ajudando os na tarefa de cavar, algo que os tatus fazem muito bem.
O tatu-peba ocorre do Uruguai à Bolívia e ao sul do Suriname e Guiana Francesa. No Brasil ocorre em todo o sul, sudeste, nordeste e centro-oeste (exceto o extremo oeste do Mato-Grosso) e parte do Pará e Amapá.
Habita áreas abertas e semi-abertas, cerrados, pantanal, bordas de mata, plantações e até próximo à casas nas áreas rurais.
São onívoros e comem restos de animais mortos, pequenos vertebrados, invertebrados, frutas, raízes, coquinhos. No Pantanal costumam se alimentar de cocos de acuri (Attallea phalerata). Possuem ótimo olfato, mas a visão é bem fraca.
São diurnos, mas também é possível observá-los em atividade à noite. Podem utilizar os mesmos buracos várias vezes.
Possuem em média 4-5kg.As fêmeas dão à luz entre 1 e 3 filhotes e a gestação dura cerca de 2 meses. A maturidade sexual se dá com 9 meses.
E espécie está fora de perigo de extinção.
Todas as fotos foram tiradas na região da Pousada Xaraés, pantanal sul-matogrossense, município de Corumbá. A primeira foi numa área de campo limpo na Fazenda Nossa Senhora de Fátima, a segunda dentro de um capão na mesma fazenda, a terceira enquanto farejava os lixos da Pousada e a última entre dois capões na Fazenda Nossa Senhora do Carmo.

Fontes:

Mammals of the Neotropics - John Eisenberg e Kent Redford
A Grande História da Evolução - Richard Dawkins
www.iucnredlist.org

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Mutum-de-penacho


Mutum-de-penacho (Crax fasciolata)

Classe: aves
Ordem: galliformes
Família: cracidae

Talvez o mutum mais comum no Brasil, Crax fasciolata é típica do Brasil Central, ocorrendo do norte da Argentina, regiões do Chaco e Corrientes, Paraguai até o norte da Bolívia e leste do Pará e Maranhão. Também vive no interior de São Paulo e de Minas Gerais.
Habita cerrados, campos limpos, buritizais, plantações, matas de galeria e fazendas. Ambas as fotos foram tiradas na Pousada Xaraés, Pantanal sul-matogrossense, Corumbá. O indivíduo da foto da direita sempre circulava pelo gramado da pousada, parecendo não se importar muito com a presença humana. A foto do casal da foto da direita estava na mata ciliar do rio Abobral.
O macho é preto com a barriga branca e a fêmea possui a barriga amarelada e as partes superiores carijó. Possui entre 77-80cm e entre 2,2-2,8kg.
Se alimenta preferencialmente de frutos, mas come flores também.
Dorme e nidifica em árvores e coloca 2 a 3 ovos de coloraçào amarelada. O período de incubação é de cerca de 30 dias e os filhotes acompanham os pais por bastante tempo, mas quando emancipam os pais os expulsam de seu território.
Os mutuns são considerados uma ótima carne de caça (independente da espécie até onde eu sei), portanto a grande ameaça a essa e outras espécies é a caça indiscriminada. Contudo é considerada ainda fora de perigo.

Fontes:

Ornitologia Brasileira - Helmut Sick
Aves do Brasil - Tomas Sigrist
Iconografia das Aves do Brasil, volume 1 bioma Cerrado - Tomas Sigrist
www.iucnredlist.org

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Cervo-do-pantanal


Cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus)

Classe: mammalia
Ordem: cetartiodactyla
Família: cervidae

Maior cervídeo da América do Sul é considerado ameaçado pela IUCN devido a grande perda de habitat e as populações continuam declinando. As principais ameaças são a conversão da vegetação em pastos e plantanções, as construçõs de usinas hidroelétricas e um pouco de atividades de caça.
Ocorre em algumas partes da América do Sul, principalmente a região do Pantanal brasileiro, boliviano e paraguaio. Consta que ocorre também no cerrado brasileiro, divisa amazônica do Peru e Bolívia, fronteira entre a Bolívia e Rondônia, região onde o rio da Prata deságua no oceano Atlântico e espalhado em poucas áreas do sul e sudeste do Brasil. Foi extinto no Uruguai.
Habita preferencialmente áreas inundáveis, como brejos, pântanos e beira de rios e lagos, sempre com alguma vegetação. As 3 fotos foram tiradas em regiões alagadiças, os chamados pirizais do Pantanal.
Costuma ser ativo ao longo do dia todo e é visto geralmente sozinho.
Se alimenta de plantas, como aguapés e capim, mas também come raízes e alguns frutos.
Aparentemente a reprodução ocorre ao longo do ano todo, mas a maior parte dos nascimentos é entre maio a setembro. A gestação dura cerca de 270 e o filhote vive cerca de 1 ano dependente da mãe.





As fotos 1 e 3 são dois machos adultos e a 2 é um jovem. Foram tiradas na Fazenda Nossa Senhora do Carmo, região de Corumbá/MS.

Fontes:

Mammals of the Neotropics, volume 3 - John F. Eisenberg e Kent H. Redford
www.iucnredlist.org