sábado, 28 de dezembro de 2013

urubu-de-cabeça-preta

urubu-de-cabeça-preta (Coragyps atratus)

Classe: Aves
Ordem: Cathartiformes
Família: Cathartidae

A espécie de urubu mais comum no Brasil, ocorrendo desde cidades e áreas abertas até regiões densamente florestadas. Possui entre 56 a 74 centímetros, cerca de 1,6 quilos e envergadura que chega a 143 centímetros. Quando em voo é possível identificá-lo pelas pontas das asas brancas.

Ocorre em praticamente toda a América do Sul, exceto o extremo sul do continente até o meio dos Estados Unidos e os estados mais a leste, chegando a Connecticut. Já observei essa espécie em regiões do Médio Solimões, como a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e regiões inóspitas do rio Negro.

Normalmente em grupo, plana bem alto, aproveitando-se das correntes termais. Se alimenta de carcaças e as localiza através de sua apurada visão ou observando outros animais. Não possui faro tão desenvolvido quanto os urubus do gênero Cathartes. Costuma dominar as carniças devido o número abundante de indivíduos de sua espécie. Se alimenta também de lixo, sendo muito comum em lixões, nas cidades. Ocorre em praias, onde se alimenta de ovos de quelônios e outras aves. Outros itens de sua dieta são pequenos vertebrados, algumas frutas e peixes quase mortos em lagos que estão secando. Na Amazônia, aproveita-se da mortandade de peixes, após uma chuvada, durante o verão (observação pessoal). Por possuir um sistema digestivo muito resistente, pode comer carcaças em avançado nível de putrefação.

Após a chuva, procuram áreas abertas ou topo de árvores e casas, onde abrem as asas completamente e as secam. Um hábito interessante do urubu-de-cabeça-preta é o chamado allopreening, em que um indivíduo limpa outro de seu mesmo grupo social.

Realiza a corte no ar, em manobras complexas e a grande velocidade. Coloca 1 a 3 ovos, branco-azulado, pintado de marrom, diretamente no solo, em esconderijos nas pedras, floresta ou edifícios urbanos. O filhote possui a plumagem clara.

Essa espécie se beneficia com o desmatamento. É um perigo em zonas aeroportuárias, podendo causar acidentes com aeronaves. É considerada fora de perigo e sua população em crescimento.

Fotos: urubus no telhado da Pousada Uacari, Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (primeira à direita); pousados em pés de açaí (Euterpes precatoria) na cidade de Tefé/AM (à esquerda); comendo um rato morto, em uma avenida no centro de Tefé (terceira).

Fontes:

Iconografia das Aves do Brasil, volume 1, bioma Cerrado - Tomas Sigrist.

www.iucnredlist.org

www.wikiaves.com.br

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

mariposa-imperador

mariposa-imperador (Thysania agrippina)

Classe: Insecta
Ordem: Lepidoptera
Família: Noctuidae

É a maior mariposa do mundo, com uma envergadura que pode chegar a 30 cm, sendo considerada, embora não seja a espécie com a maior superfície da asa, perdendo para espécies da família Saturniid, do sul da Ásia.
Ocorre na Amazônia e na América Central, chegando até ao México.
As fotos foram tiradas na cidade de Tefé, estado do Amazonas. A foto à direita mostra a vista dorsal, mais clara, com desenhos escuros. Foi tirada numa região mais periférica da cidade, com áreas verdes e igarapés próximos; à esquerda a vista ventral, mais colorida. Essa foto foi feita na região central da cidade, em uma avenida bastante movimentada.


Fontes:

Book of Insect Records, University of Florida. (http://entnemdept.ufl.edu/walker/ufbir/chapters/chapter_32.shtml)

http://pt.wikipedia.org/wiki/Mariposa-imperador


quinta-feira, 6 de junho de 2013

cobra-cega

Amphisbaena fuliginosa

Classe: Répteis
Ordem: Squamata
Família: Amphisbaenidae

Embora pareça uma serpente, pois não possui patas, a Amphisbaena é um lagarto. Possui entre 35 a 50 cm, com um registro de um indivíduo de 55,5 cm. Os olhos são rudimentares, modificação relacionada ao seu hábito fossorial (permanecem a maior parte do tempo sob o folhiço ou outros objetos).
Ocorre na América do Sul, até o norte do Panamá. Sua distribuição é principalmente amazônica, mas também ocorre em áreas de mata atlântica do Nordeste e um registro para o estado de Goiás, no bioma cerrado.
Em um estudo com outros indivíduos do mesmo gênero, os principais itens alimentares consumidos foram nematóides e insetos de variadas famílias e espécies, como besouros, cupins e formigas.
O indivíduo da foto foi encontrado na Universidade Federal do Amazonas, Manaus.

Fontes:

New record of Amphisbaena fuliginosa (Squamata, Amphisbaenidae) for the Cerrado Biome, in an area of extensive cattle ranching - Frederico Gemesio Lemos & Katia Gomes Facure. - Biota Neotropica.
A second note on the geographical differentiation of Amphisbaena fuliginosa L., 1758 (Squamata, Amphisbaenidae), with a consideration of the forest refuge model of speciation - Paulo Vanzolini - Anais da Academia Brasileira de Ciências.
Notas sobre os Amphisbaenia (Reptilia, Squamata) da microrregião de Feira de Santana, Estado da Bahia, Brasil. José Duarte de Barros Filho. 
Guia de largatos da RFAD - Laurie Vitt, William Magnusson, Teresa Cristina Ávila Pires, Albertina Pimentel Lima.

 

segunda-feira, 13 de maio de 2013

araracanga

araracanga (Ara macao)

Classe: Aves
Ordem: Psittaciformes
Família: Psittacidea

Manaus ainda proporciona o prazer de ouvir algumas aves cantando e, surpreendentemente para uma capital de 2 milhões de habitantes, os gritos estridentes da araracanga são relativamente comuns. Final de tarde no Conjunto Tiradentes pode ser um espetáculo de araracangas voando e cantando. Muitas vezes elas param nas embaúbas (Cecropia sp.) da, sôfrega, porém lutadora mata ciliar do igarapé do Mindú. E nessas horas que eu saio correndo para tentar alguma imagem.
Ara macao é uma ave grande, com cerca de 89 cm, de vermelho muito vivo. É semelhante à A. chloroptera, mas possui coloração amarela na parte média das asas, ao contrário da segunda, que possui cor verde.
É um animal frugívoro. Constrói seu ninho em ocos de árvores altas. A nidificação ocorre entre dezembro e março.
Vive em grupos. Observo, normalmente, em grupos de 5 a 10 indivíduos.
Habita florestas úmidas, matas ciliares, clareiras com algumas árvores, matas de várzea e, como vimos, inclusive cidades que ainda possuem alguma vegetação. Ocorre no Mato Grosso, Maranhão e todas a região norte do Brasil. Da Bolívia ao Equador, Guiana Francesa à Colômbia. Ocorre também na América Central, mas foi possivelmente extinta de parte de sua área de ocorrência nesse Continente.
É considerado fora de perigo de extinção, mas com o número em declínio.
Fotos:
1 - Voando sobre Manaus.
2 -  Empoleiradas nas embaúbas do igarapé do Mindú.
3 - Casal no cano do Apara, RDS Mamirauá.
4 - Indivíduo na entrada do ninho em um tacacazeiro no cano do lago Mamirauá, RDS Mamirauá.

Fontes:
www.iucnredlist.org
www.wikiaves.com.br




domingo, 31 de março de 2013

tuiuiú - mais fotos

tuiuiú (Jabiru mycteria)
Tuiuiú em um ipê (Tabebuia sp.)

Tuiuiú em uma área alagada cheia de macrófitas

Ninho de tuiuiú em um mandovi (Sterculia apelata)

Tuiuiús junto a colhereiros (Platalea ajaja)

quinta-feira, 28 de março de 2013

lontra

lontra (Lontra longicaudis)

Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Mustelidae

Tamanho total: 78 a 130 cm. Peso: 5 a 15 kg.
Particularmente, um dos meus animais prediletos. Ocorre do norte da Argentina e Uruguai até o México central. Em quase todos os estados brasileiros, exceto parte da região nordeste. É encontrado em todos os biomas brasileiros, menos a caatinga.
É uma espécie semi-aquática, por isso depende de rios limpos e matas ciliares e de galeria preservadas. Também ocorre em estuários e manguezais. As membranas interdigitais auxiliam na natação e a cauda achatada atua como um remo.
É solitária e de hábitos preferencialmente diurnos, embora haja registros de atividades noturnas. É uma espécie carnívora, se alimentando primariamente de peixes. Também se alimenta de crustáceos, moluscos e alguns estudos mostram que pode consumir pequenos mamíferos, répteis, aves e frutos.
Os ninhos são tocas cavadas na margem do rio, mas podem ser utilizados ocos de árvore também. A reprodução ocorre na primavera. A gestação é de cerca de dois meses e nascem entre um a cinco filhotes. Após o nascimento, a mãe cuida da prole.
As principais ameças à espécie são o desmatamento e a poluição dos corpos d'água. No passado houve muita caça de L. longicaudis para o comércio de peles. Por exemplo, na região de Iquitos, Peru, após a segunda guerra mundial, foram exportados mais de 90.000 peles de lontra. Outros dados mostram que, entre os anos de 1962 a 1967, na mesma região, quase 48.000 indivíduos ou peles foram vendidas para fora do país. A IUCN considera que não há dados suficientes para categorizar o grau de ameaça que a espécie está.
Muito difícil fotografar esse bicho. Normalmente, quando via o animal, ele estava nadando e logo desaparecia. Apenas uma vez na vida pude vê-lo fora d'água e por tanto tempo. Hoplias sp.)

As fotos foram tiradas no rio Abobral, região da Pousada Xaraés, Pantanal sul-matogrossense. Na primeira foto, o indivíduo se alimentava de uma traíra (

Fontes:

Mamíferos do Brasil - Nélio R. dos Reis, Adriano L. Peracchi, Wagner A. Pedro, Isaac P. de Lima.
Libro Rojo de la Fauna Silvestre de Vertebrados de Bolivia - Veronica Zambrana, Paul A. Van Damme, Pilar Becerra.
The Empty Forest - Kent Redford. BioScience, 1992.
www.iucnredlist.org

quarta-feira, 27 de março de 2013

escorpião

escorpião (Tityus metuendus)

Classe: Arachnida
Ordem: Scorpiones
Família: Buthidae

Tamanho: 7 a 9 cm.
Espécie amazônica, dos estados do Amazonas, Rondônia, Roraima, Pará e Acre e no Peru.
Os escorpiões são vivíparos, ou seja, dão à luz a filhotes e não ovos. Um estudo com uma fêmea proveniente da região de Iquitos, Peru, mostrou a ocorrência de arrenotoquia (minha tradução livre do inglês), uma forma de partenogênese (crescimento e desenvolvimento de um embrião, sem a fertilização) em que origina apenas machos. O gênero Tityus tem uma gestação de cerca de três meses.
Escorpiões são predadores, se alimentando, principalmente, de outros invertebrados, mas também de pequenos vertebrados. São terrestres e, em sua maioria, noturnos. Podem ser nocivos aos humanos, mas dificilmente letais a uma pessoa saudável. Os sintomas de uma ferroada de T. metuendus são dor local, queimação, hiperemia (aumento da quantidade de sangue em um determinado local) e edema. Pode levar a problemas cardiovasculares, respiratórios e neurológicos.
O indivíduo da foto foi encontrado no campus da Universidade Federal do Amazonas, em Manaus.

Fontes:

Reproduction in scorpions, with special reference to parthenogenesis. - Wilson R. Lourenço. European Arachnology, 2000.
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/manual_escorpioes_web.pdf
http://www.cit.ufam.edu.br/prevencao/animais/escorpioes.htm