quarta-feira, 22 de outubro de 2014

canoa

canoa (Archaeoprepona demophon)

Classe: Insecta
Ordem: Lepidoptera
Família: Nymphalidae

Pra variar é muito difícil achar informações sobre invertebrados, mas, desde o ano passado, temos a chance de saber mais sobre borboletas, através do site www.amazonian-butterflies.net/, criado pela professora doutora Rosamary Vieira e  pelo doutor Hubert Hofer.
A canoa é a espécie do gênero Archaeoprepona mais comum na Amazônia Central. Costuma ficar no sub-bosque, mas também se aventura pelo dossel. As larvas dessa borboleta são grandes e de aparência críptica, sendo difíceis de serem encontradas.
É uma espécie florestal (as fotos foram tiradas no campus do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, na borda de uma mata secundária, mas que é ligada a grandes porções de floresta de terra-firme e de igapó).
Se distribui da Argentina ao México e em Trinidad e Tobago.
Os adultos se alimentam, principalmente, de frutas podres, mas as larvas possuem um hábito alimentar bem diversificado, porém sempre de plantas.
Não obtive nenhuma informação sobre o status de conservação da espécie.

Fontes:
http://www.amazonian-butterflies.net/families/?tx_psbfieldguide_fg%5Bspecies%5D=52&tx_psbfieldguide_fg%5Baction%5D=show&tx_psbfieldguide_fg%5Bcontroller%5D=Species&cHash=209ca5c0ab43b12c724ef179b66c6060


terça-feira, 21 de outubro de 2014

lagarto Anolis

lagarto (Anolis punctatus ou philopunctatus)

Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Família: Iguanidae

Não consegui descobrir, com precisão, a espécie desse lagarto, mas, pelas fotos, julgo ser Anolis punctatus. O Guia de Lagartos da Reserva Florestal Adolpho Ducke, mostra A. philopunctatus, mas, segundo ele, isso é incerto, podendo ser A. punctatus (A. philopunctatus possui grandes manchas pretas no apêndice gular, o que, aparentemente, não ocorre em A. punctatus). Fiquei tão feliz ao tirar essa foto, em uma trilha, na RDS Amanã, que nem deu tempo para pedir auxílio a algum especialista no assunto. Contudo, julgo ser a espécie correta.
A. punctatus ocorre por toda a Amazônia e sua origem é essa região. Estudos mostram que a espécie pode ser mais antiga do que 6 milhões de anos.
Além de praticamente toda região amazônica, também ocorre na Mata Atlântica. É não-heliotérmica, arborícola, podendo ser encontrando em troncos de árvores, no chão.
A reprodução ocorre o ano todo e a fêmea coloca apenas um ovo por vez. Assim como outros lagartos do seu porte, provavelmente se alimenta de insetos e outros invertebrados, como gafanhotos e formigas.

Fontes:

Guia de Lagartos da RFDA - Amazônia Central - Laurie Vitt, William Magnusson, Teresa Cristina Ávila Pires, Albertina Pimentel Lima.
A molecular phylogenetic analysis of diversification in Amazonian Anolis lizards - R. E. Glor, L. J. Vitt, A. Larson,
http://reptile-database.reptarium.cz/species?genus=Anolis&species=punctatus 

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

anu-preto

Nome: anu-preto (Crotophaga ani)
Classe: Aves
Ordem: Cuculiformes
Família: Cuculidae

Ave muito comum no Brasil todo, inclusive em regiões urbanas. Habita bordas de matas, áreas abertas, capinzais, capoeiras, beiras de estradas, matas secas, mesófilas e de galeria, mas também é possível encontrá-la em ambientes mais florestais, como as matas de várzea amazônicas, contudo, nunca no interior da floresta. Nas cidades, habitam áreas com um pouco mais de plantas (na minha casa, em Tefé/AM, sempre aparece algum bando nos arbustos e no terreno baldio ao lado).
Vive em bandos, por vezes maiores do que 10 indivíduos, frequentando árvores baixas e muitas vezes no chão (ou se empoleiram em cercas). Em dias muito quentes, é possível observar o anu-preto de asas e bico abertos, para refrescar.
É essencialmente insetívoro, consumindo grilos, gafanhotos, cupins e outros insetos maiores. Também se alimenta de algumas espécies de frutos.
Os casais procriam em ninhos coletivos, contendo até 50 ovos (esverdeados ou azulados) e podem ser ajudados por alguns jovens. Nem todos os ovos eclodem. Cresce até 36 cm.
Ocorre em todo o Brasil, do norte da Argentina ao Equador, Colômbia, Venezuela, Guianas e Suriname, ilhas do Caribe, América Central até os Estados Unidos.
Está fora de perigo de extinção.
A foto foi tirada no campus do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, na cidade de Tefé, Amazonas.

Fontes:

Aves do Brasil, volume 1 - Bioma Cerrado. Tomas Sigrist
www.iucnredlist.org
Para ouvir e baixar os sons: http://www.xeno-canto.org/explore?query=crotophaga+ani

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

morcego

morcego (Rhynchonycteris naso)

Classe: Mammalia
Ordem: Chiroptera
Família: Emballonuridae

O tamanho desse morcego varia entre 37 a 43 mm e pesa cerca de 4 g. Possui o focinho alongado e pontiagudo. Sua coloração provê boa camuflagem, semelhante a um líquen.
Ocorre do México ao sudeste brasileiro. É uma espécie ligada a ambiente úmidos, em florestas tropicais e, geralmente, em altitudes abaixo dos 500 m. Ocorre também em florestas secundárias, matas de galeria, jardins e pastagens.
Poucos indivíduos dividem o mesmo dormitório, em colônias que varia entre 3 a 45 animais, normalmente em troncos de árvores, galhos de árvores (próximos à água), ocos de pau, cavernas, pontes. Vários
machos dividem o mesmo dormitório.
Se alimentam de insetos, voando próximos a corpos d'água, como rios, canais, lagos e brejos. É a primeira espécie vista se alimentando no crepúsculo.
As fêmeas dão a luz a apenas um filhote, que voa independente a partir da primeira semana de vida, embora ainda permaneça próximo à mãe.
Seus principais predadores são gaviões, falcões e garças.
A espécie está fora de ameaça de extinção.
As duas fotos foram tiradas na RDS Mamirauá. À direita, morcegos no tronco de uma munguba (Pseudobombax munguba), no cano do lago Mamirauá; à esquerda, morcegos sob o telhado da Pousada Uacari.

Neotropical Rainforest Mammals. Emmons, L. H.
Mammals of the Neotropics. The Central Neotropics, volume 3. Einsenberg, J. F. & Redford, K. H.
www.iucnredlist.org

sábado, 28 de dezembro de 2013

urubu-de-cabeça-preta

urubu-de-cabeça-preta (Coragyps atratus)

Classe: Aves
Ordem: Cathartiformes
Família: Cathartidae

A espécie de urubu mais comum no Brasil, ocorrendo desde cidades e áreas abertas até regiões densamente florestadas. Possui entre 56 a 74 centímetros, cerca de 1,6 quilos e envergadura que chega a 143 centímetros. Quando em voo é possível identificá-lo pelas pontas das asas brancas.

Ocorre em praticamente toda a América do Sul, exceto o extremo sul do continente até o meio dos Estados Unidos e os estados mais a leste, chegando a Connecticut. Já observei essa espécie em regiões do Médio Solimões, como a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e regiões inóspitas do rio Negro.

Normalmente em grupo, plana bem alto, aproveitando-se das correntes termais. Se alimenta de carcaças e as localiza através de sua apurada visão ou observando outros animais. Não possui faro tão desenvolvido quanto os urubus do gênero Cathartes. Costuma dominar as carniças devido o número abundante de indivíduos de sua espécie. Se alimenta também de lixo, sendo muito comum em lixões, nas cidades. Ocorre em praias, onde se alimenta de ovos de quelônios e outras aves. Outros itens de sua dieta são pequenos vertebrados, algumas frutas e peixes quase mortos em lagos que estão secando. Na Amazônia, aproveita-se da mortandade de peixes, após uma chuvada, durante o verão (observação pessoal). Por possuir um sistema digestivo muito resistente, pode comer carcaças em avançado nível de putrefação.

Após a chuva, procuram áreas abertas ou topo de árvores e casas, onde abrem as asas completamente e as secam. Um hábito interessante do urubu-de-cabeça-preta é o chamado allopreening, em que um indivíduo limpa outro de seu mesmo grupo social.

Realiza a corte no ar, em manobras complexas e a grande velocidade. Coloca 1 a 3 ovos, branco-azulado, pintado de marrom, diretamente no solo, em esconderijos nas pedras, floresta ou edifícios urbanos. O filhote possui a plumagem clara.

Essa espécie se beneficia com o desmatamento. É um perigo em zonas aeroportuárias, podendo causar acidentes com aeronaves. É considerada fora de perigo e sua população em crescimento.

Fotos: urubus no telhado da Pousada Uacari, Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (primeira à direita); pousados em pés de açaí (Euterpes precatoria) na cidade de Tefé/AM (à esquerda); comendo um rato morto, em uma avenida no centro de Tefé (terceira).

Fontes:

Iconografia das Aves do Brasil, volume 1, bioma Cerrado - Tomas Sigrist.

www.iucnredlist.org

www.wikiaves.com.br

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

mariposa-imperador

mariposa-imperador (Thysania agrippina)

Classe: Insecta
Ordem: Lepidoptera
Família: Noctuidae

É a maior mariposa do mundo, com uma envergadura que pode chegar a 30 cm, sendo considerada, embora não seja a espécie com a maior superfície da asa, perdendo para espécies da família Saturniid, do sul da Ásia.
Ocorre na Amazônia e na América Central, chegando até ao México.
As fotos foram tiradas na cidade de Tefé, estado do Amazonas. A foto à direita mostra a vista dorsal, mais clara, com desenhos escuros. Foi tirada numa região mais periférica da cidade, com áreas verdes e igarapés próximos; à esquerda a vista ventral, mais colorida. Essa foto foi feita na região central da cidade, em uma avenida bastante movimentada.


Fontes:

Book of Insect Records, University of Florida. (http://entnemdept.ufl.edu/walker/ufbir/chapters/chapter_32.shtml)

http://pt.wikipedia.org/wiki/Mariposa-imperador


quinta-feira, 6 de junho de 2013

cobra-cega

Amphisbaena fuliginosa

Classe: Répteis
Ordem: Squamata
Família: Amphisbaenidae

Embora pareça uma serpente, pois não possui patas, a Amphisbaena é um lagarto. Possui entre 35 a 50 cm, com um registro de um indivíduo de 55,5 cm. Os olhos são rudimentares, modificação relacionada ao seu hábito fossorial (permanecem a maior parte do tempo sob o folhiço ou outros objetos).
Ocorre na América do Sul, até o norte do Panamá. Sua distribuição é principalmente amazônica, mas também ocorre em áreas de mata atlântica do Nordeste e um registro para o estado de Goiás, no bioma cerrado.
Em um estudo com outros indivíduos do mesmo gênero, os principais itens alimentares consumidos foram nematóides e insetos de variadas famílias e espécies, como besouros, cupins e formigas.
O indivíduo da foto foi encontrado na Universidade Federal do Amazonas, Manaus.

Fontes:

New record of Amphisbaena fuliginosa (Squamata, Amphisbaenidae) for the Cerrado Biome, in an area of extensive cattle ranching - Frederico Gemesio Lemos & Katia Gomes Facure. - Biota Neotropica.
A second note on the geographical differentiation of Amphisbaena fuliginosa L., 1758 (Squamata, Amphisbaenidae), with a consideration of the forest refuge model of speciation - Paulo Vanzolini - Anais da Academia Brasileira de Ciências.
Notas sobre os Amphisbaenia (Reptilia, Squamata) da microrregião de Feira de Santana, Estado da Bahia, Brasil. José Duarte de Barros Filho. 
Guia de largatos da RFAD - Laurie Vitt, William Magnusson, Teresa Cristina Ávila Pires, Albertina Pimentel Lima.